O mar brasileiro, com 8,5
mil quilômetros de costa e 4,5 milhões de quilômetros quadrados de
Zona Econômica Exclusiva (ZEE), representa quase a metade de todo
nosso território terrestre. Juntamente com a Amazônia "verde", essa
verdadeira "Amazônia azul" constitui, certamente, uma das últimas e
mais importantes fronteiras científicas por desbravar no país, além
de representar um patrimônio de valor inestimável para a herança do
Brasil. No presente Núcleo Temático, as ciências do mar e a sua
herança para o futuro do Brasil foram abordadas em seis aspectos
principais: o mar como fontes de riquezas minerais, de energia e de
alimentos, o ambiente marinho em um planeta em transformação, a
biodiversidade marinha e os povos do mar. Apesar do enorme potencial
futuro da Amazônia azul, porém, cabe destacar que já é através do mar
que passam hoje cerca de 95% de todo o comércio exterior nacional,
além do mar responder também por 90% de todas as nossas reservas de
petróleo e gás, em explotação (1) e ainda a explotar, como no caso
do pré-sal e dos nódulos polimetálicos e bancos de fosfato, aspectos
abordados por Kaiser Gonçalves de Souza e José Antonio Moreira Lima,
respectivamente nos dois primeiros artigos deste Núcleo Temático,
juntamente com possíveis fontes alternativas de energia oriundas do
mar. Além dos recursos minerais e energéticos, o mar possui uma
enorme importância também como fonte de alimentos, por meio da pesca e
da aquicultura, para um planeta cada vez mais carente de proteínas
de origem animal de qualidade.
Desde épocas mais remotas, mares e oceanos são usados como via de transporte e como fonte de recursos biológicos. O desenvolvimento da tecnologia marinha permitiu a descoberta nas águas, no solo e no subsolo marinhos de recursos naturais de importância capital para a humanidade. A descoberta de tais recursos fez aumentar a necessidade de delimitar os espaços marítimos em relação aos quais os Estados costeiros exercem soberania e jurisdição.